Queridos leitores!
Não sei se estranharam o meu silêncio! Lembrei-vos um balão
que enche tão rapidamente que rebenta ao mesmo ritmo? Pois bem, o tempo foi
necessário para definir um rumo para tão grande empresa como é um blog!
Bem, na realidade este tempo permitiu experimentar na pele
algo que eu conhecia apenas dos livros académicos – a solidão!
É verdade! O tentar de novo longe de casa, longe da nossa família,
dos amigos, da nossa rua que pelo cheiro a distinguimos das outras, enfim…sem
todas as coisas que nos fazem sentir que pertencemos a algo, a solidão chega e
rapidamente!
No meu caso passei por aquela que chamo de 1ª fase da solidão - o tédio.
Aquela sensação de domingo à tarde com a segunda-feira à porta em que só nos dá
vontade de fugir, e que sempre que nos vem à ideia que o dia está a terminar e
que a segunda está a umas horas de se concretizar…haaaa!!! Pois bem, os meus
dias começavam e acabavam assim! Até que dei por mim a criar histórias sobre
tudo o que me rodeava, a criar conversas imaginárias entre as pessoas que passavam e a imaginar que o ambiente se agitava
perante qualquer brisa, de tanta vida que tinha, ao ponto de ver um sorriso na quadrícula de madeira e vidro da porta do meu prédio! Talvez isto tenha
acontecido não só porque durante todo o dia não tinha muito que fazer e a
rotina tomava conta de mim, mas também graças ao intrépido e amoroso jovem, (aquele que decidiu partilhar os seus dias comigo até que a morte nos separe), que tem o
hábito infantil e tão delicioso, de passar pelas coisas e dizer-me “Olha os
olhinhos tristes deste monstrinho” (referindo-se ao ecoponto das garrafas aqui
da rua). Parece-vos esquizofrenia? Qualquer parecença com loucura é pura
coincidência!
Adiante!
Como boa alma lusitana que sou, acredito que a arte de
contar histórias nos corre nas veias. Senão, vejamos os grandes contadores de
histórias que recheiam as prateleiras das nossas bibliotecas! Bem, se é verdade
que somos bons contadores de histórias, o mesmo julgo não podermos dizer como leitores (pelo menos para grande parte infelizmente)!Há
livros que já passaram a fase do cotão para a fase do bolor! Mas isso já é
outra história!
Bem, se a minha origem não justifica totalmente este meu gosto
de contar histórias, a minha herança genética talvez. O meu pai, além de outras
graças e virtudes, é um contador de histórias. Das minhas boas memórias de
infância, tenho também as histórias que ele contava: As “histórias da boca”. Era
assim que ele lhes chamava. Elas não eram mais do que histórias inventadas no
momento, de acordo com o seu humor e a mensagem que nos queria passar!
Lembro-me de uma história que eu insistentemente pedia que ele contasse e
recontasse: a história da Margarida. Esta era uma história inédita e cheia de carácter, pois ao contrário desta, as outras histórias tinham direito a uma só estreia! Uma vez contada, uma
vez solta ao vento – já não voltava! Mas a história da Margarida foi contada
muitas vezes! Às vezes eu tinha de o ajudar a contá-la porque ele mudava a
ordem de actuação dos animais! Coisas de pais! Esta história era como uma broa
de mel (pra quem não sabe: a broa de mel é a mistura de muitas massas de bolos
mas que no fim combinam todos): muitos milagres, animais falantes à mistura e onde não
faltava obviamente a Margarida (que nem sequer era a heroína) e a personagem
maléfica (admirem-se: o dono de um poço)!
Pois bem, perante esta introdução tão detalhada, os meus
queridos leitores já se encontram em condições de entrar no novo capítulo de
aventuras do meu blog a que humildemente chamo de “Histórias da Boca” em
homenagem ao espírito criativo do meu pai. Diariamente encontrarão uma história original que poderá ter ou não o seu final nesse dia, mas que terá
seguramente um fim à vista. Estas são dedicadas a todos os heróis comuns que um
dia foram crianças ou para os que ainda o são e que guardam dentro de si o pozinho
mágico da imaginação.
Preparados? Contagem: 10…9…8…7…6…5…4…3…2…1
Boa viagem!
Boa viagem!